Palestra
A FDC realizou recentemente a palestra denominada Mulher, Educacao, Ciencia e Tecnologia que teve lugar em Junho passado, na Faculdade de Engenharias da Universidade Eduardo Mondlane. A palestra visava persuadir as alunas das 10 classes a seguirem cursos de ciencia e tecnologia.
“Mulher, Educação, Ciência e Tecnologia’’ foi o grande tema da palestra decorrida no em Junho, na Faculdade de Engenharias da Universidade Eduardo Mondlane, no âmbito do Programa Mulheres Líderes e Proeminentes de Moçambique, projecto lançado, em Dezembro do ano passado, pela Fundação de Desenvolvimento para a Comunidade – FDC.
Para consciencializar as alunas à ascenção da mulher moçambicana a lugares de visibilidade e proeminência, em particular em áreas pouco tradicionais como ciências, engenharias, a FDC convidou cerca de 100 alunas das escolas secundárias das cidades de Maputo e Matola e de algumas universidades à palestra que teve como oradores o Prof. Dr. Narciso Matos(Director Executivo da FDC), a Sra. Graça Machel (Presidente da FDC), Sua Excia Prof. Dr. Eng. Venâncio Massingue (Ministro da Ciência e Tecnologia de Moçambique), Dra. Leontina dos Muchangos (Especialista em Género), Profa. Dra. Emília Afonso (Directora Adjunta do departamento de ciências na UP) e a Enga. Fátima Momade.
O Prof. Narciso Matos ressaltou, na abertura, que o objectivo da palestra “é compreender como é que as Mulheres nessas áreas podem dar uma maior contribuição ao país”;
O Ministro da Ciência e Tecnologia, Venâncio Massingue referiu que o Ministério de Ciência e Tecnologia moçambicano reconhece a importância do papel da mulher em todos sectores de desenvolvimento, em particular na ciência e investigação, promovendo por isso a integração da mulher, com iguais direitos e oportunidades.
Referiu que nas ultimas décadas a equidade de género é um tema internacional. No entanto, o governo moçambicano acha que é uma questão imperiosa para o desenvolvimento do país, por isso vem actuando do ponto de vista jurídico, através da criação de leis, com respeito a equidade de género.
Venâncio Massingue disse: “é preciso procurar criar novos produtos; estudar para criar empresas e não ter para trabalhar só em multinacionais. É preciso ter a ambição, por exemplo, de produzir e adoptar procedimentos mais céleres na cadeia de produção para incrementar o valor dos produtos nacionais”.
Entretanto, as escolas básicas são tidas como as que devem contribuir para o envolvimento das mulheres em ciência, tecnologia e inovação. Enquanto que as escolas técnicas devem apoiar mulheres na integração, promovendo as estudantes formadas; o desenvolvimento de ferramentas que permitam geração de renda.
Caras e vozes de mulheres
Porquê o debate sobre a Mulher, Ciência e Tecnologia no mundo de hoje? Foi a apresentação da Senhora Graça Machel que indicou como principal razão da palestra o acesso da mulher a cursos de ciência, tecnologia, e engenharia como uma alavanca importante de desenvolvimento do país.
Avaliando os progressos, referiu ter havido muitos avanços de presença feminina na arena política em Moçambique, citando como exemplo a Sua Excia Primeira Ministra e as ministras actuais no governo, as mulheres existentes no parlamento entre outras referências femininas. Ela lembrou que Moçambique está entre os 10 países com maior integração de mulheres.
A sra. Machel disse ainda que se existem tais progressos, em Moçambique, eles não são visíveis em relação as mulheres na área de ciência e tecnologia porque continuam a ser muito poucas, observando que se existem mulheres na ciência e tecnologia são invisíveis e as suas vozes não são ouvidas, nem mesmo na área da economia formal, apesar das “mukeristas” serem um movimento anónimo, de grande importância de Moçambique.
A integração das mulheres moçambicanas ainda não é concreta porque só há números, mas não há caras nem vozes. As mulheres devem ser reconhecíveis e capazes de falar na primeira pessoa.
Pretende-se, primeiro, contribuir para mudar e despertar a consciência; segundo, conhecer a realidade, ter dados estatísticos, analisar os factos reais; terceiro, identificar as áreas que nem dados desagregados existem.
Explicou que a FDC, através do programa, “Mulheres Líderes e Proeminentes” está a trabalhar com outras instituições para reunir todos os dados sobre mulheres, por exemplo: como a mulher tem acesso, se apropria e tem direitos por forma a usar da informação para influênciar políticas afirmativas fazendo o impulsionamento para que mulheres exerçam seus direitos.
“É preciso encontrar maneiras de corrigir o crescimento disforme da mulher em ciências e engenharias por forma a trazer à superfície caras símbolos e vozes audíveis das mulheres nestas áreas”, disse Graça Machel.


