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De quem sao as noticias? De quem sao os pontos de vista?

Delegados de 19 países reunidos em conferência sobre Género e Media na África Austral decorrida na África do Sul debateram o tema: “De Quem são as Notícias, de Quem são os Pontos de Vista? Cidadãos Críticos, Media Sensível”.

Na cerimónia de abertura, Ntombi Migue, Presidente do Município de Ekurhuleni, na Província de Gauteng falou da importância do trabalho realizado pela Gender Links e GEMSA (Gender Media in Southern Africa), organizadores da conferência, na promoção da equidade de género na Media.

“Não interessa a beleza da mulher, o que conta é o conhecimento, a inteligência e a capacidade de fazê-lo”, disse Migue no seu discurso de abertura.

De Quem são as Notícias? São daqueles que querem vender! De Quem são os Pontos de Vista? São daqueles que têm dinheiro para produzirem histórias! É assim como começou o discurso a Ministra da Agricultura da África do Sul, Lulu Xingwana. A ministra congratulou os profissionais de informação, homens e mulheres que produzem notícias positivas e negativas sobre vários assuntos que ocorrem na sociedade.

Lulu Xingwana disse ser muita pena que a mulher seja usada para fins publicitários, como por exemplo, uma mulher semi-nua deitada por cima de um carro Ferrari que é muitas vezes conduzido por um homem.

A ministra disse ser muito urgente a educação do homem e da criança sobre o significado da promoção da equidade de Género porque são ainda muito poucos os homens que estão comprometidos com assuntos do género.

Lulu Xingwana apelou que as organizações da sociedade civil devem trabalhar em parceria umas com as outras sem deixar de lado a parceria com os governos, pois a prioridade, pelo menos na África do Sul é de as ONGs trabalharem com a mulher parlamentar para que esta cumpra com o seu papel de luta em prol do desenvolvimento da Mulher.

O objectivo da conferência é também de partilhar as melhores práticas na criação de uma Media mais sensível a assuntos de Género. Foram, durante a conferência, entregues prémios aos profissionais e os Órgãos de Informação que se notabilizaram durante os últimos dois anos, na publicação de artigos sensíveis ao Género.

As instituições premiadas foram as que também se destacaram no progresso do seu plano de acção, em HIV e SIDA e na promoção da diversidade de assuntos publicados pelos Órgãos de Comunicação Social. As instituições premiadas foram o Malawi Broadcast Corporation, o Swazi Observer e a Katutura Community Radio, de Namíbia.

Por sua vez a directora executiva da Gender Links, Colleen Lowe Morna disse que a terceira conferência do GEMSA é um momento de celebração e que a instituição que dirige não vai parar de reportar os casos de vergonha que ainda persistem na sociedade.

Colleen Morna mencionou a história interessante de dois homens que são tratados por mamãs nas Maurícias, pelo seu cometimento na luta pela promoção dos Direitos da Mulher bem como a interessante história da tribo Massai, na Tanzania, em que os homens ganham a vida honestamente, traçando o cabelo às mulheres, nos cabeleireiros.

“É de congratular os homens Massai, na Tanzania, por fazerem bonitos penteados a mulheres nos cabeleireiros”, disse Colleen.

Na cidade de Dar Es Salaam, na Tanzania, só são os homens Massai é que traçam cabelos a mulheres em cabeleireiros. É também frequente encontrar dois homens Massai a traçarem-se cabelo na rua. Isto explica-se pelo facto de tradicionalmente só os homens Massai serem permitidos a criar e trançar cabelo desde pequenos enquanto que as mulheres são obrigadas a manterem cabelo curto. segundo explica Wilbert Kitima, consultor de Media em Dar Es Salaam.

“Os homens Massai são especialistas em trançar rasta. Ainda está em estudo a razão porque as mulheres não são permitidas a tratar cabelo”, disse Kitima.

Entretanto, durante a conferência, uma questão pertinente foi levantada pelas activistas de Género da Suécia aquando do trabalho de pesquisa que elaboraram durante o ano de 2007. Será que a presença da mulher no parlamento tem alguma relação com as noticias sobre assuntos de Género na Media?

O estudo por elas apresentado mostra que a maioria dos países com maior número de mulheres no parlamento apresentam poucas notícias publicadas sobre assuntos do Género ou sobre mulheres como fontes de informação. No entanto, os países com poucas mulheres no parlamento, como por exemplo a Arábia Saudita, tem muita informação sobre a mulher só que essa informação está mais relacionada com a promoção do uso do véu.